Portugal nunca teve estrutura familiar. Sempre há distúrbios em casa ou em qualquer lado porque o problema está sempre no marido, na esposa e até nos filhos. A estrutura familiar deve ser feita a partir da educação, da paciência, do respeito, da empatia e da compreensão apesar de todas as fragilidades que o familiar se encontra. E não se vê isso em Portugal. Vê-se cada vez mais pessoas frustradas que não se cuidam, cobram à força aos filhos e ainda os maltratam quando não os respeitam ou quando não fazem uma coisa complexa que os filhos não conseguem fazer. Chama-se ser adulto à força e mostra-se isso na infância. São abusos de poder com orgulho do hino da bandeira portuguesa "Contra os canhões, marchar, marchar!".
Eu lembro-me de uma situação de uma ex-membro da família que bateu na minha sobrinha Rita que nem 1 ano de idade fez e na altura, vivia com o meu irmão. A Rita só ia passar 15 dias na casa do meu irmão e 15 dias na casa da minha actual cunhada. Isso acabou quando o meu irmão se descuidou nalguma coisa o que fez essa ex-pessoa de família terminar a sua relação entre eles.
Foi daí que o meu irmão começou a amadurecer.
Ele juntou-se com a minha cunhada para construírem uma relação amorosa que dura até hoje quase 20 anos e durante quase 20 anos, o meu irmão não só amadureceu, ele aprendeu a ser pai à força.
Eu e o meu irmão temos rivalidade amarga e inimiga, nós nos odiamos profundamente, guardamos rancor um contra o outro. Há momentos em que nos ajudamos, momentos de como nos unimos e momentos de como nos atacamos. É uma relação abusiva entre irmãos do estilo Goku VS Frieza na saga do Dragon Ball Super, o Torneio da Força, uma vez inimigos, depois aliados e depois inimigos de novo. O único motivo do nosso contacto, por mal que estamos um contra o outro, são os meus sobrinhos.
Todos os aniversários e natais, dava dinheiro para os meus sobrinhos Rita e Diego, mas só à minha sobrinha Rute, dou-lhe mais dinheiro pelo único contexto, a Rute é a minha afilhada, não só é a minha sobrinha. E tudo vai cair por terra quando a Rute iniciar uma relação amorosa e ter carreira profissional, a viver com o namorado, deixando apenas o Diego a cuidado do meu irmão e da minha cunhada actual. Daí só dou dinheiro para o Diego no futuro próximo.
Há 20 anos que o meu irmão aprendeu a ser pai da pior forma, as dificuldades deram-lhe experiência para liderar e lidar todos os tipos de coisas. Foi um pai imperfeito, mas fez o que é obrigado a fazer por lei. Desde o nascimento e crescimento da Rute, o meu irmão aprendeu a ser um pai melhor do que era quando teve a Rita. A Rita não guarda ressentimentos com ninguém, nem com o meu irmão apesar de tudo o que viveram juntos, o meu irmão vê até hoje orgulho na Rita por ser a sua inspiração de amadurecer como pai.
Apesar de todos os conflitos, o meu irmão ficou menos violento e começou a ser um pouco mais compreensivo do que era antes, a agir menos com a cabeça quente. Está mais extrovertido do que era na sua juventude (o meu irmão era extrovertido na mesma e tinha todos os padrões de uma pessoa normal). Só eu não tinha cognição sobre como viver em sociedade e eu era agredido por todos, pois aproveitavam-se da minha vulnerabilidade por ser um autista severo com deficiência intelectual nível 3 na época. E agora o meu irmão pôs o que aprendeu em vida quando lidou comigo porque o Diego é autista. E apoia-o mais do que o meu pai me apoiou a mim quando o Diego tinha a minha idade. O meu irmão leva o Diego para todas as terapias para o Diego saber lidar todos os desafios ao mascarar o seu autismo para ter uma vida perfeitamente normal, com mínimo de deficiência intelectual visível, quase a olho nu das pessoas normais, apesar de lidar com a sua agressividade que Diego tem desde a infância.
A minha família é violenta e é raro haver sequer uma família pacífica. Apesar de realizarem os sonhos maioria das pessoas da sua família as vê como uma ovelha negra, que nunca terá futuro na sua carreira profissional nem nas relações pessoais o que levam as vítimas ao seu afastamento e bloqueio de todas as telecomunicações e redes sociais possíveis.
Maior parte das pessoas violentas da minha família morreram por doença. A minha avó paterna ameaçou-me em viva que deixaria de falar para mim se eu virasse gay ou bissexual ou transsexual. Felizmente, eu não sou lacrola, mas mesmo assim, ela não ficava satisfeita e disse na lata que me tornei num homem grande (hipócrisia dela). Mas quando invadiu o meu quarto quando o meu pai os levou à antiga casa dele, a segunda casa de Canelas, ela criticou-me e maltratou-me ao me chamar de maluco e infantil por coleccionar videojogos (mentalidade de século XX nessa cabeça de 80 e poucos anos quando ela era viva). Foi um dos pontos mais críticos que me levou a ter enorme desrespeito por ela. O seu falecimento foi um alívio para mim pois cada vez que ia à casa dela, pouco ou nada se falava, mas quando se trata de me criticar por eu coleccionar videojogos, era logo a disparar insultos. Eu só tive ressentimento por ter feito o que fez e disse contra mim. Depois do seu falecimento, é para esquecê-la para sempre.
O meu avô paterno também era extremamente violento para o meu pai, para a minha avó paterna e para os meus tios paternos. Até as minhas tias paternas e a minha mãe têm ressentimento contra ele. Quando eu era novo, o meu avô paterno (segundo contou a minha mãe), era muito extrovertido, brincalhão e unido, qualquer coisa que eu precisava ele ajudava-me, ele brincava comigo e com o meu irmão e dava-me bolachas e sumo de ananás. Até que um dia, mudou tudo. Ele virou outra pessoa, aos seus 50 e poucos anos. Teve um problema, não se sentia bem e começou a atacar pessoas, incluindo a mim. A violência em família só fez o meu pai se acomodar porque na altura ele rejeitava-me por ser autista severo com deficiência intelectual nível 3 e então, tudo mudou quando o ex-patrão da minha mãe, António Pereira, seu patrão da limpeza doméstica particular, apareceu na casa do meu avô paterno para dar um sermão ao meu pai.
Depois do sermão, o meu pai acordou para a vida e começou a aceitar-me como autista. Ele reflectiu na merda que fazia contra mim e começou a entrar no seu arco de redenção para apoiar a mim, ao meu irmão e à nossa mãe. Então, em Julho de 1996, mudamos-nos para uma casa alugada em Vilar de Andorinho para iniciar a escola primária que me aceitou por ter deficiência intelectual nível 3 com autismo severo para promover a inclusão social dos deficientes (o que não foi merda nenhuma porque a escola foi capacitista 'pra caralho). Depois de nos termos mudado, eu estava a passar fome porque só comia sopas e papas por causa da selectividade alimentar. Então, o meu pai levou frango com batatas fritas para casa e foi assim que comecei a comer melhor, ao superar os limites que me foram impostos pelo capacitismo que sofria em Oliveira do Douro e em Vilar de Andorinho. 43 anos de casamento dos meus pais em 2026, o meu pai ainda apresenta agressividade típico de um autista (não foi diagnosticado autista porque no dia que fui diagnosticado com autismo, ele também fez exame ao cérebro e não apresentava nenhuma anomalia), mas essa masculinidade tóxica foi herdada do meu avô paterno e da minha bisavó paterna (essa também faleceu antes de eu nascer).
Segundo que me contaram, a minha bisavó paterna era ainda mais violenta que o meu avô paterno (mãe dele), e rejeitava a ideia do meu pai se casar com a minha mãe. Depois que a minha mãe se impôs a todos que duvidavam da sua relação, o amor entre si venceu tudo e todos. Eu vi um vídeo no Facebook sobre a relação entre a Bulma e o Vegeta do Dragon Ball e lá explica explicitamente que amor a sério não tem de ser perfeito nem um mar de rosas, mas que é importante que a pessoa esteja no lado da outra pessoa apesar da escuridão no seu coração. Se não fosse a teimosia da minha mãe, não teriam filhos e eu não teria nascido (eu nem devia ter nascido por causa do mundo hostil que vivo desde os anos '80). A minha bisavó paterna meteu na cabeça do meu avô paterno que a minha mãe não é da sua família e foi assim que a minha mãe continua ressentida contra ele pelas suas atitudes machistas.
Quando a minha avó paterna faleceu, o meu avô paterno recusou-se de a visitar quando ela esteve à beira da morte no hospital Santos Silva em Gaia, no quarto de repouso. Nem a quis ver morta quando foi celebrado o seu funeral. Algum problema mental não diagnosticado ou masculinidade tóxica que se viu no meu avô paterno o levou a tomar atitudes extremamente gravosas e completamente erradas. Quando lhe tentei ligar no seu aniversário a desejar-lhe os parabéns, ele nem atendeu a chamada e quando o confrontei, ele esteve em silêncio, ignorou a minha pergunta, nem me respondeu e começou a mudar de assunto. Quando fui à sua casa no mesmo dia que fui à EndTurn no dia 4 de Julho de 2026, o meu pai mandou-me ir embora porque a atitude do meu avô paterno já cheirava mal e eu comecei a sentir a sua aura maligna dentro dele como nos maus velhos tempos da sua masculinidade tóxica. O meu pai pôs o fim nas visitas e quando ele entender, leva-me a visitá-lo novamente. O meu avô paterno está aos poucos a dar as suas últimas porque ele não tem conversado de forma cognitiva, mal pode falar quanto mais pode andar. 95 anos é fodido lidar com toda a merda, a gente lida com isso se chegar lá, mas este é o preço a pagar por tudo que as pessoas nos fazem em vida, quando sentem remorsos já é tarde demais. Ontem já era tarde.
Um ex-tio materno que cometeu violência doméstica contra a minha tia materna mais velha por causa do álcool morreu em 2010. Ele era mau para os meus primos e eles tiveram uma infância difícil por esse lixo. Quando o vício fala mais alto, a própria vida é o preço a pagar. Felizmente, a minha tia materna mais velha está numa relação amorosa com um homem bondoso, fellow coleccionador de figuras que me inspirou a ser coleccionador de figuras de videojogos e Anime que gosto, principalmente Dragon Ball. É mais velho que ela mas ambos estão em idade avançada, apesar de algumas complicações de saúde, o amor vence. Uma boa relação não tem de ser violenta para não impor autoridade abusiva. Tem de se apoiar nos defeitos, fragilidades e qualidades. E conseguir ver a sua escuridão para estar no lado de entre si. Antes o tratava por você mas desde o 64º aniversário do meu pai (ele foi convidado para a sua festa), ganhei intimidade e comecei a tratar por tu com o seu consentimento. António José ou Tozé, era o seu nome, um homem que se tornou meu tio materno mais velho, cavalheiro, um bom padrasto para os meus primos maternos. Algo raro de se ver em Portugal e tive o privilégio de conhecer o António de forma mais maravilhosa possível. Homem com carisma, personalidade, humildade, e persistente de forma positiva e não abusiva e sem masculinidade tóxica de conquistar a minha tia materna mais velha. Um cavalheiro, homem impecável e sempre bem disposto. Um homem que me inspirou a escrever o meu livro privado das anedotas para contar aos meus amigos online e amigos pessoais quando me sentir disposto a inventar novas anedotas (fui humorista no passado).
Não vou estender mais o texto para não ficar aborrecido. Mas estas são histórias vividas por mim, na alegria, na redenção, na angústia, no ódio, na masculinidade tóxica, no feminismo tóxico, na homofobia, na bifobia, na transfobia e no capacitismo.
Histórias que acabam bem quando as pessoas se redimem e se tornam amigos e aliados. Histórias que acabam da pior forma possível e fortalecem a inimizade, o ódio e o ressentimento daqueles que se tornam nossos inimigos.
Pessoas de família do bem tornam-se memoráveis e homenageadas após a sua morte com enorme respeito, admiração e inspiração.
Pessoas da família do mal que fazem tudo para sabotar e prejudicar a pessoa até lhes dar na telha de os controlar e os matar, mas têm a sua morte trágica com base no karma negativo que acumularam ao longo dos seus anos de crime contra humanos e animais.
Não vai acabar nunca e vai se agravar ainda mais.
Aqueles que me fizeram mal, ainda estão a tempo de se redimirem pela merda que me fizeram. Acima do desrespeito e ultrapassagem de todos os limites do inaceitável estão sujeitos a levar... um enxerto de porrada.
Família ou não, respeito conquista-se. Ninguém é escravo de ninguém e ninguém tem de dar satisfações para fazer o que quiser. A responsabilidade é de cada um. Segundo o António Variações, em que a letra dizia "Quando a cabeça não tem juízo e sabes mais que é preciso, o corpo é que paga".
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Opinion - Violência Doméstica
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