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Opinião - Mafalda Matos vs Joana Marques, o conflito do Século para a comunidade autista.

Opinião - Mafalda Matos vs Joana Marques, o conflito do Século para a comunidade autista.

Desde que fui vítima de tentativa de aborto, fui diagnosticado aos 4 anos com autismo severo. Depois dos diagnósticos errados pelos meus ex-psiquiatras em toda a Área Metropolitana do Porto, o primeiro psiquiatra, Justino, deu o diagnóstico correcto, sendo diagnosticado com autismo. Os incompetentes diziam que eu não falava, que eu não ouvia e que eu não fazia nem uma nem outra. Foi uma desgraça. Depois de ouvir pela primeira vez os meus pais e chamar a minha mãe de "mamã", foi um salto de alegria para provar aos incompetentes dos psiquiatras que estavam errados no diagnóstico ao meu respeito.

Aos 7 anos, ultrapassei barreiras como comer comida que não seja sopas nem papas. Era magro, pesando por volta de 30 quilos, quase a morrer à fome. Então, em Julho de 1996, saí de Oliveira do Douro (casa do meu avô paterno) para viver para Vilar de Andorinho e o meu pai trouxe frango de churrasco com batatas fritas. Depois de comer a primeira vez, foi quando todos celebravam pela proeza que conquistei sobre superar os meus limites para além do autismo severo.

Ao longo das décadas, fiz terapias como psicomotrocidade, terapia de fala, tarefista, psicologia, psiquiatria e outras terapias que me ajudaram a desenvolver para ser a pessoa que sou hoje. Senão, eu nem existiria na Internet.

Durante o meu desenvolvimento sofri crimes de xenofobia (sou português nascido em Portugal e descendente de pais portugueses e avós portugueses), capacitismo, gordofobia, homofobia (eu sou heterossexual e não tenho interesse em homens), racismo, fui vítima de muitos crimes que ninguém pagou por eles a não ser pelo karma.

Sofri bullying nos cursos, nas escolas e até no jardim de infância.

Fiz o 9º ano, reprovei no 6º ano, reprovei em quase todos os cursos e fui banido do mercado de trabalho porque o centro de reabilitação da Granja disse que tenho transtorno opositivo desafiador e que não me adapto às regras do mercado de trabalho nem na sua própria instituição, incompetente que foi contra mim. E nesse mesmo centro de reabilitação, fui violado e o que fizeram a relação ao meu problema? Deixaram-me sofrer nas mãos dos outros, expulsaram-me de lá e baniram-me do mercado de trabalho.

Até hoje nunca arranjei emprego. Continuo a viver com dependências financeiras e económicas fazendo-me viver na miséria, viver com ou viver sem os meus pais.

Também tive conflitos com ex-melhores amigos, tive pessoas que passaram na minha vida para me farem um inferno. Eu passei décadas para tentar desistir da vida, que até já tentei faz3-l0 duas vezes, mas fui impedido pelos meus inimigos da escola e pelas pessoas da família porque gostaria de me ver sofrer mais de forma severa por mais anos.

Enfim, cambada de conas. Alguns já estão a pagar caro por tudo que me fizeram passar. Karma é foda e vem a dragão, isso vos posso garantir. Eu não terei futuro mas Portugal também não. É uma questão de tempo.

Então, em 2026, fiquei sem ninguém com quem falar, tanto online como offline. Ninguém me manda SMS, ninguém me liga a perguntar como eu estou, ninguém me manda mensagem privada nas redes sociais. Fiquei completamente sozinho e comecei a habituar-me à solidão que me faz ter tempo para ganhar mais experiência e mais maturidade porque não ganho nada em ter pessoas que se fingem ser minhas amigas e me abandonam no ghosting.

Em 2026 passei o meu tempo a valorizar o que tenho hoje. Joguei videojogos que nunca joguei depois de os comprar (acabando com o backlog), alcancei proezas em jogos no Steam e na Epic Games, juntei mais dinheiro para pagar as minhas contas e as minhas dívidas. Acumulei experiência e mais problemas familiares que tentam oprimir-me como forma de desespero de me impedir de subir na vida e não ser orgulhoso da minha independência apesar de toda a merda que sofri na minha juventude.

Eu nem sequer perco tempo a arranjar namorada... muito menos ter filhos. Já não faço s3x0 há 20 anos. Acabou tudo, para os Oliveiras e mais famílias que me puseram para baixo quando era manipulado com falsas promessas e mentiras descaradas.

Estou a tentar subir sozinho para deixar os meus pais e a minha família para viver a minha vida, sem validações de ninguém, com total liberdade de tomar as minhas próprias decisões, sem pedir segunda opinião, sem julgamento, sem pressas, apenas vivendo a minha vida como um ser humano e não como um objecto. Se a minha sobrinha Rita deixou o meu irmão, a minha cunhada e os meus sobrinhos Rute e Diego para viver numa nova família com o seu namorado e os seus enteados, então devo seguir o meu caminho para não ser dependente nem oprimido por ninguém para ter o orgulho que sozinho consigo tudo, porque a minha fé está na minha força para aguentar o quanto e como vou apanhar.

Ateu, sem namorada, sem filhos, e no futuro, sem amigos, sigo a minha vida a lutar contra as minhas próprias sombras que me impedem de progredir, que me impedem de ser feliz, e que me põem depressivo.

3x campeão mundial de NFTs, campeão de 1 evento e 3 torneios YuGiOh, 3º lugar num torneio não oficial do Pokémon Showdown e 2x vencedor dos eventos Pokémon TCG Pocket (para não esquecer que sou vencedor de 2000 giveaways mundiais), estou satisfeito com as minhas proezas mas sinto que ainda há mais alguma coisa para melhorar e continuar a ser um vencedor. Apesar do capacitismo, não tenho tempo para me vitimizar, não tenho tempo para ir atrás de outras pessoas para contar a minha história para não receber julgamento como pagamento por me abrir demais. Este é o preço do convívio. E muito Bugs Bunny tinha razão nos vídeos feitos por IA que publicava no TikTok.

Apesar do meu sofrimento, não ter ninguém com quem falar me deu mais tempo livre para poder crescer e amadurecer como ser humano. Eu não quero ser uma boa pessoa. Eu quero ser decente para não ser feito de otário pelos outros e ter os meus mecanismos de defesa, nem que eu parta para a 4gr37740 contra os filhos da puta que me maltratam por ser autista. Eu não tenho tempo nem dinheiro para protestar pelos meus direitos humanos que eu não tenho. Só me resta sobreviver neste planeta capacitista, a Terra, e lidar com isso.

O conflito entre a Mafalda e a Joana Marques fez-me reflectir uma coisa. A Mafalda tem o direito de abrir abertamente que é autista. A Joana não conhece os graus de autismo que existem. Eu sou autista moderado nível 2 e tenho as minhas dificuldades embora quase ninguém tenha empatia pelas minhas fraquezas e também pelas minhas dificuldades de aprendizagem. O problema da Joana é como humorista fez reacções sobre como a Mafalda se abre e como a Mafalda se comunica como pessoa com autismo. Há milhões de autistas para além de eu e a Mafalda. Ninguém nasce normal hoje em dia independentemente dos cuidados e descuidos dos pais. Deficiência separa famílias. Tal como os esquizofrénicos e bipolares, os autistas também estão cá para fazer a sua diferença, assim como tu e eu, pessoa normal. O humor não devia ter limites, mesmo que haja capacitismo porque não é para todos os públicos, porque este tipo de conteúdo é para quem é normal, não para autistas como eu ou a Mafalda. 

Eu já não seguia o conteúdo da Joana Marques desde que fez reacções aos trabalhos da Luciana Abreu. Mas com a Mafalda, já não me chateio. Não tenho tempo para me chatear com conteúdo ofensivo a nós. Não tenho tempo de me vitimizar nem fazer queixa por capacitismo. Isto é algo que devia ser ignorado porque este tipo de conteúdo não é para nós. Não se força inclusão, integração nem vitimismo para pessoas com deficiência. Nem se deve ter tempo para lutar uma causa que já está perdida.

Eu vou continuar a viver do meu jeito possível assim como a Mafalda devia ter feito há muito tempo. Autismo sempre viverá independentemente do capacitismo. Vamos viver a nossa própria utopia e a nossa própria sociedade onde se dividem a sociedade dos deficiêntes e a sociedade dos normais. De resto, espero que este artigo de opinião tenha reflectido sobre a forma como vives como um ser humano e evitar perder tempo com confrontos desnecessários.

A sociedade continuará do jeito X-MEN possível, minorias serão sempre excluídas e devemos lidar com isso sem vitimismo.

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Sou um criador de conteúdo multiplataforma.


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