Sempre estamos no fio da navalha quando falamos de dinheiro. Professores, por exemplo, sempre com parcos salários e obrigação de se atualizar e conseguir ter um equilíbrio entre ganhos e trabalho, acabam fazendo malabarismos para "não ficar no vermelho", com muitos falhando miseravelmente.
As coisas andam rápido, e pensar sobre as formas de transferir e guardar valores no futuro é algo que se pensa hoje (na verdade, sempre foi assunto para os indivíduos. Nos últimos 10 ou 20 anos apenas inserimos o digital nessa equação para ampliar a discussão e o sistema). Mas tem muitas coisas que não são claras - ou são confusas deliberadamente para não serem discutidas e compreendidas - por que saem do lugar comum.
Antes de tentar entrar nas discussões sobre essas "novas moedas", é preciso que cada um saiba elementos básicos que estão envolvidos nesse "admirável novo mundo" antes de entrar, seja de cabeça ou quase, seja para tomar a decisão de ficar de fora nesse novo mundo (opção possível, mas que ao meu ver trará problemas num futuro não muito distante).
Pretendo então fazer alguns apontamentos sobre criptomoedas e sobre esse universo (o qual também estou descobrindo, apesar de estar perto dele pelo menos desde 2018) para ajudar gente comum a conhecer esse universo, que como todo "El Dorado" e "nova fronteira", é cheio de pegadinhas, armadilhas e golpes e onde podemos ter muitos risos, alguma satisfação ou ranger de dentes.
Uma primeira coisa que é legal saber e que quase ninguém explica - talvez por ser difícil de entender ao iniciar nessa "matéria" - é a diferença entre Coin (moeda) e Token. E ela está intimamente ligada ao conceito de blockchain.
Então vamos começar com ele:
- o blockchain

Resumidamente, o blockchain é um registro dentro do arquivo do sistema (informacional, internético, computacional. Ou seja: na rede). Normalmente, para simplificar, quem fala disso acaba usando a analogia com um livro-razão ou livro-caixa que registra todas as operações de uma determinada moeda. Apesar de servir para explicar, não é o melhor modo de fazê-lo. Digamos que o bloco (block) parece com uma folha desse livro, mas que tem um relógio que limita o uso dessa página. Os indivíduos que podem registrar dados (pois o blockchain server para diversas coisas, de registro de operações contábeis até contabilização de votos numa eleição ou registro de documentos oficiais - tipo o que temos num cartório) tem um tempo limitado para registrar esses dados num espaço limitado. Passado esse tempo (que está ligado ao tempo que uma operação leva para ser verificada dentro da rede do blockchain), uma nova "página" é aberta, travando a anterior e impedindo que possa ser feita qualquer modificação. Como o bloco não está centralizado num só servidor, e sim replicado em cada usuário da rede, qualquer alteração só seria possível se conseguisse ser feita ao mesmo tempo em todas cópias (inviável já que depois de fechado nenhum bloco pode ser "reaberto"). Cabe lembrar que os projetos que usam a tecnologia de blocos acabam por determinar um limite de blocos que poderão ser abertos, fazendo que a geração de páginas possa ser limitada. É nesse ponto que iniciam-se o interesse pelos dois elementos que hoje são vendidos como "reservas de valor"
- A moeda

Ela é uma implementação de um blockchain, ou seja, cada uma tem seu próprio blockchain e uma rede de usuários que oferece suporte para a existência dessa mesma moeda. Se um blockchain não tiver o interesse de ninguém, seu valor é igual a zero. Se não existe busca por registrar nada nessa "livro", não existe mineração (um conceito que falaremos logo mais) e, por consequência, não existe motivo para atribuir valor nesses blocos. É a materialização da lei da oferta e da procura. Existe uma máxima que diz ser fácil criar uma nova "altcoin" (moeda alternativa, um outro conceito aplicado para criptomoedas, para apresentá-las aos "consumidores" como algo diverso, mas parecido, com o bitcoin), mas o que é realmente difícil é mantê-la ativa.
O que diferenciará cada moeda está na forma como implementa seus registros nos blocos criados e a criptografia dos mesmos para que não sejam alterados ou coisas do gênero. Elas são reservas de valor pois podem ser utilizadas como "meio comum de troca" e por serem acreditadas como representantes desses valores - em parte pela estrutura do blockchain.
- Os tokens

Talvez a melhor comparação que possamos oferecer para entender o token é o velho "contra-vale" que se obtinha quando os vales refeição eram de papel ou, para os mais novos, esses tickets de promoção que algumas redes de fast-food oferecem no balcão. Eles não tem valor em si - diferentemente das moedas - por que eles não possuem um blockchain próprio. Na verdade eles utilizam blockchains de outras moedas que permitem tal ação (tipo o Ethereum) e podem (ou não) ter um lastro em moeda real. Seu valor está mais no uso que pode ser feito deles do que neles em si, já que os token podem estar relacionados a um jogo (quanto mais tokens, maior sua classe dentro do ambiente do jogo) ou a uma plataforma de trade/negócios (você pode ter vantagens caso tenha certa quantidade de tokens ao comprar um produto). É importante saber sobre o token é que como ele não tem sua própria blockchain, quando você precisa fazer uma transação qualquer (como transferir uma quantidade de token X para alguém) , precisa ter na sua carteira virtual algumas unidades da moeda proprietária do blockchain que o token usa para pagar o "gas" - que seria uma espécie de taxa de uso do livro-caixa.
Espero que tenha gostado do conteúdo e que possamos seguir juntos nessa caminhada no mundo das criptomoedas. Ficarei feliz em receber alguma TIP (gorjeta) de vocês em BAT [token do publish0x]. Essa é legal que você pode oferecer e receber ao mesmo tempo. Não se esqueça de inscrever-se e "distribuir gorjetas para todos e para si mesmo"