Gopher - explorando a web antes da web

Gopher - explorando a web antes da web

By lingy | Lingy | 14 Feb 2022


Hoje vamos fazer uma viagem no tempo, e ver um pouco sobre uma tecnologia da década de 90, que era usado para construir ambientes semelhantes as páginas web de hoje em dia: o Gopher.

O Gopher é um protocolo que serve para fazer o equivalente aos sites de hoje (um gopherspace, se quer o nome correto) na era do MS-DOS, onde o que nós temos hoje conhecido como internet era algo restrito a imaginação dos entusiastas. É interessante ver que uma tecnologia tão antiga ainda possui uma comunidade ativa de adeptos e entusiastas.

O contexto histórico

Gopher é um protocolo criado na universidade de Minesota em 1991 para compartilhar dados pela internet, similar ao que temos hoje com o HTTP. Naquela época não existia a internet como temos hoje, e o mais perto de um navegador como temos hoje que existia eram programas para ler arquivos formatados em certos tipos de conexão. Para você ter uma ideia, o Netscape, que foi o navegador no qual o Firefox foi baseado, só surgiu em 1993.

Como o Windows 95 foi lançado apenas em 1995, a grande maioria dos acessos a internet eram feitos através de interfaces de terminal e programas semelhantes ao cURL. Dessa forma, mesmo que um sistema operacional tivesse interface gráfica, não fazia sentido mostrar animações e usar sintaxes modernas, e é por isso que mesmo o HTML primitivo da época ainda disputava contra o Gopher, já que ele era simples e rápido de escrever e podia ser lido facilmente em qualquer terminal que conseguisse o acessar, além de que, mesmo que você só lesse o texto puro do arquivo, ainda era mais simples de entender que um arquivo em HTML ou outro formato.

Atualmente o Gopher não é mais popular como antigamente, mas ainda existem muitos entusiastas, e muitos domínios Gopher populares e interessantes.

Como funciona?

As páginas Gopher usam uma estrutura baseada em menus e links, sem muita formatação, ideais para a leitura em um terminal. Atualmente, os navegadores mais populares, como o Google Chrome e o Firefox, não oferecem suporte nativo a domínios Gopher, mas outros navegadores, como o Lynx (que funciona direto no terminal), ainda oferecem:

Aparência de uma página Gopher

Também é possível abrir páginas Gopher nos navegadores citados antes usando uma extensão:

Página Gopher no navegador

Como pode ver, é só um monte de textos puros com alguns links, nada demais, uma estrutura realmente simples para os padrões de hoje, mas o bastante para os padrões da época.

As vantagens

Por ser extremamente simples e prático, você pode criar e armazenar um site simples, como um tutorial ou algo assim, que pode ser armazenado em um computador com poucos recursos e acessado por computadores com menos recursos ainda. Além disso, ele é adaptado para ser lido pelo terminal, então até mesmo computadores sem interface gráfica tem uma experiência completa de leitura, tendo acesso a 100% do conteúdo da página.

As desvantagens

Primeiramente, não é prático. Como a maioria dos navegadores de hoje em dia sequer oferecem suporte nativo aos gopherspaces, acaba não sendo muito prático acessar esses gopherspaces, e os mecanismos de pesquisa nem ao menos mais indexam essas páginas.

Os gopherspaces também não tem muitos recursos, como JavaScript ou outros. Por causa disso, páginas dinâmicas não são viáveis, muito menos Ajax.

A conexão com Gopher também não é criptografada, como usando HTTPS. Isso significa que os dados que você troca com um gopherspace podem ser interceptados por qualquer um que esteja no meio do caminho, e até alterados por um possível hacker. Então talvez ele não seja o ideal para cuidar de dados sensíveis.

Como acessar?

Para acessar um gopherspace (um site gopher), você precisa ou de um navegador que seja capaz de abrir gopherspaces nativamente, de um plugin que permita abrir gopherspaces ou um site que permita abrir gopherspace.

vamos usar nos três casos o mesmo endereço gopher: gopher://floodgap.com.

Usando o Lynx

Para acessar pelo terminal, podemos usar o navegador Lynx. Para isso, vamos antes baixar o Lynx:

$ sudo apt install lynx

Agora, com o Lynx instalado, vamos abrir o site no terminal:

$ lynx gopher://floodgap.com

E pronto, você verá a página assim:

Página aberta

Usando um site como proxy para adaptar o conteúdo

Você pode usar o Floodgap para abrir sites Gopher dentro do navegador. Como o site que nós queremos acessar já é da própria empresa, só precisamos acessar o proxy:

Acessando proxy

E você percebeu aquela barra de pesquisa que tem em cima? Caso você queira acessar outros sites Gopher, é só você colocar o endereço que você tem interesse ali no campo. Vamos usar o endereço do gopherspace de Alexander Arkhipov, que tem diversos exercícios de programação e outras coisas do tipo:

Acessando o domínio

Bem fácil, não é mesmo?

Existe um buscador semelhante ao Google dentro do Gopher chamado Veronica, que você pode acessar aqui.

Extensões

O Chrome possui uma extensão que possibilita que você tenha um acesso rápido ao site anterior só clicando nele:

Extensão

Claro que, na prática, não tem muita utilidade, já que você pode acessar o mesmo site pelo navegador normalmente, mas, para quem usa diariamente, pode ser bom.

A extensão se chama Burrow, e você pode encontrar ela aqui.

E aí, já conhecia o Gopher e os gopherspaces? Conta pra mim nos comentários.

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