
O mercado de criptomoedas entra em setembro de 2026 após uma forte recuperação em agosto: o Bitcoin ultrapassou US$ 80.000 e o otimismo institucional retornou. A questão agora é se esse novo ciclo de alta veio para ficar.
Este artigo resume os fatores que impulsionam o mercado, as tendências no Brasil e no mundo, e as criptomoedas que os analistas estão observando.
Bitcoin e Ethereum: um retorno ao mercado em alta?
O Bitcoin (BTC) fechou agosto com um ganho de quase 25%, impulsionado por três fatores: intervenção do Tesouro dos EUA, que aliviou a pressão sobre as taxas de juros de longo prazo; retorno de entradas líquidas em ETFs de Bitcoin à vista; e retórica pró-cripto do presidente Donald Trump, que defendeu a aprovação do Clarity Act no Congresso dos EUA.
Na primeira semana de setembro, a moeda testou o nível de US$ 81.000 antes de retornar para a faixa de US$ 77.000–US$ 79.000, em meio a dados de emprego mais fortes do que o esperado nos EUA.
O Ethereum (ETH) seguiu o exemplo, sendo negociado em torno da marca de US$ 2.500, impulsionado pelo otimismo em torno da atualização "Glamsterdam" e do papel do token na tokenização de ativos do mundo real e do ecossistema DeFi.
Analistas vinculam o aumento das recompras de títulos de longo prazo do Tesouro dos EUA ao "comércio de desvalorização" —o conceito de que ativos com oferta limitada, como o Bitcoin, se tornam mais atraentes diante da expansão monetária global.
Brasil e o volume diário de R$ 1,5 bilhão
Segundo dados da Receita Federal, os brasileiros negociam diariamente em média R$ 1,5 bilhão em criptomoedas—volume que coloca o país entre os maiores mercados de criptomoedas do mundo.
O cenário regulatório e institucional também está evoluindo. O Ministério Público de São Paulo firmou convênio com a ABCripto e a Chainalysis para capacitação, compartilhamento de informações e criação de protocolos de combate a crimes envolvendo ativos digitais.
Mercado Bitcoin e Bitso anunciaram uma aliança comercial para fortalecer a concorrência no mercado brasileiro. A parceria não envolve participações acionárias, mas espera-se que expanda a gama de serviços oferecidos.
As stablecoins agora representam aproximadamente 80% dos criptoativos declarados à Receita Federal do Brasil, com o USDT (Tether) representando quase 89% do volume de negociação; elas evoluíram de meros instrumentos de hedge para um meio de pagamento dentro do ecossistema de criptomoedas. Por outro lado, a compra de stablecoins no exterior por brasileiros caiu 80% após novas regras de governança impostas pelo Banco Central.
Tendências globais: bancos, tokenização e privacidade
Instituições como Citi, Bank of America, Santander e Goldman Sachs estão unindo forças para criar empresas de stablecoin estruturadas para cumprir regulamentos como o GENIUS Act (EUA) e o MiCA (União Europeia).
O Chainlink (LINK) continua servindo como infraestrutura para iniciativas como o Projeto Pangea, que reúne mais de 50 bancos na Europa e na Coreia do Sul para testar a liquidação de transações de câmbio usando stablecoins. O token subiu 38% em agosto.
O Zcash (ZEC) cresceu mais de 20% em um único dia depois que a Grayscale converteu seu fundo em um ETF à vista nos EUA, sendo lançado com mais de US$ 300 milhões em ativos sob gestão. A tese que impulsiona o rali: num mundo onde a IA pode rastrear transações, a privacidade financeira está mais uma vez a tornar-se valiosa. Escolhas dos analistas para setembro
Criptomoeda Por que está em alta
Hiperlíquido (HYPE) Maior bolsa de futuros descentralizada; apresenta recompras de tokens e uma potencial entrada regulamentada no mercado dos EUACha
inlink (LINK) Infraestrutura para tokenização institucional e parcerias com mais de 50 bancos globais
Zcash (ZEC) Grayscale ETF e crescente demanda por privacidade financeira
Aave (AAVE) Depósitos recordes na versão V4 e nova tokenomics com recompras automáticas
Solana (SOL) Tempos de bloqueio reduzidos e uma proposta de governança para retirar 18,9 milhões de SOL de circulação
Fique de olho nos eventos de desbloqueio de tokens —como o da Hyperliquid em 6 de setembro—, que podem desencadear pressão temporária de vendas.
Riscos que todo investidor deve monitorar
A reunião do Federal Reserve de 15 a 16 de setembro pode determinar a trajetória das taxas de juros dos EUA e, consequentemente, a direção do mercado de criptomoedas. No Brasil, novas regulamentações do Banco Central e da CVM continuam moldando o mercado, exigindo que os investidores se adaptem rapidamente. Após os ganhos de agosto, alguns investidores provavelmente obterão lucros em setembro, o que pode levar à volatilidade do mercado.
Em relação à segurança, um vazamento recente de dados na Trezor expôs as informações de mais de 67.000 clientes —um lembrete de que escolher carteiras e exchanges confiáveis é importante.
O que fazer agora
Bitcoin e Ethereum continuam sendo as âncoras mais seguras, mas altcoins com fundamentos sólidos podem valer a pena serem consideradas para aqueles que buscam diversificar. Projetos que geram receita real e utilizam mecanismos de recompra de tokens —como Chainlink, Aave e Hyperliquid— tendem a ser mais sustentáveis a longo prazo. As regras estão mudando...