Quando o dia amanhece

By lingy | arthursiq5 | 5 Apr 2022


Inspirado no SCP 001 - Locke's Proposal

Eu sempre achei uma porcaria trabalhar no porão da fábrica. Muito calor, muita escuridão, e nem mesmo o rádio pega direito, mas ao menos eu consigo evitar ficar perto daquele povo barulhento do resto da fábrica. É bom até para ficar longe do mundo como um todo. Não tenho amigos, não tenho família e minha noiva me deixou, então acho que não tenho muito o que fazer lá fora com o mundo. Talvez seja melhor eu ficar aqui, sozinho e tranquilo...

Mas a vida solitária não é tão ruim assim, eu tenho um bom salário, consigo comprar minhas coisas e ainda me deixam usar um dos quartos como se fosse meu, e, com isso, consigo poupar uma fortuna em aluguel. Também às vezes eu faço alguns bicos com o pessoal do laboratório e com o pessoal de TI, então raramente tenho problemas com dinheiro. Penso em talvez comprar um apartamento no centro uma hora dessas, mas, como tenho minha moradia, não sei se sinto real necessidade disso.

De todas as formas, minha rotina hoje foi exatamente a mesma dos outros dias. Acordei mais cedo, fritei bacon e ovos e comi com pão no refeitório antes dos outros funcionários virem, limpei os escritórios e comecei a limpar os banheiros, começando dos banheiros dos andares superiores e descendo até o subsolo. Acho que só eu uso a fábrica nesse horário (5 horas da manhã, que surpresa), mas ao menos ficar em completo silêncio afasta as preocupações e o estresse da minha cabeça.

Após terminar os banheiros dos andares superiores, me dirijo ao subsolo, com calma e tranquilidade. Como é terça-feira, e não tem manutenção, eu posso simplesmente fechar a porta e botar uma música mais alta, para tampar o som das máquinas trabalhando.

Mas hoje foi diferente.

Após os primeiros funcionários chegarem, eu abaixo um pouco o som para poder ouvir caso alguém me chame, e faço a minha pausa, aproveitando para poder tomar um café, descansar, ouvir as notícias no rádio e comer alguma coisa, talvez algumas bolachas ou algo assim. Eu começo a ouvir os outros funcionários ligando as máquinas, conversando e batendo o ponto eletrônico.

Então, de repente, o rádio começa a dar um chiado esquisito, a energia elétrica acaba e eu começo a ouvir longos gritos do andar de cima. Dezenas de vozes gritando, e, logo em seguida, se silenciando. A dor dos meus colegas lá em cima era apavorante, e acabou com qualquer gota de coragem que poderia existir dentro de mim.

Após os gritos pararem e o complexo inteiro ficar em absoluto silêncio, o rádio se ativou subitamente, e instruções de emergência foram proferidas:

Este aviso entrará em vigor imediatamente e continuará num futuro previsível. O Governo dos Estados Unidos autorizou a fundação para anunciar este alerta. A fundação está dedicada a proteger o público.
Atualizações vão ser dadas a cada hora, as instruções seguintes são vitais para a sua sobrevivência.
Neste momento, a Fundação pede para que os civis fiquem em interiores e bloqueiem suas portas e janelas e evitem ao máximo a luz natural.
Devido a um evento meteorológico fatal de origem desconhecida, são estimadas s҉̷̸͢͜͠e̵̕t̶̡̀́̀͘͠͠e҉̶̧́́͘͘͘͘ bilhões de casualidades desde os primeiros 30 minutos de ativação.
Fique distante de qualquer fonte de luz natural emitida pelo sol ou pela lua.
Civis que precisam viajar têm que cobrir seus corpos com roupa protetiva, preferencialmente com várias camadas.
Cidades e construções feitas pelo homem provém as melhores proteções possíveis. Áreas arborizadas devem ser contornadas.
Viagens a pé devem ser evitadas ao máximo possível e fortemente desencorajadas.
Feche todas as entradas e janelas possíveis do abrigo. Não olhe para fora.
Todas as pessoas e barulhos que venham do lado de fora não devem ser investigadas.
Recuse todas as propostas de pessoas querendo entrar, não importa o quão humanos eles pareçam. Eutanásia não deve ser tentada. Pessoas expostas ao [chiado] não são pessoas, você pode abandoná-las.

O rádio começou a falhar, mas as últimas frases realmente fizeram meu sangue gelar:

P̵e͠s̶s͟o͢ąś s̕ą̃o͟ e̢n͢c̶o͞r̵a̧j́a̵d̴a͜s̸ a͢ s̢u͢p̢e̴r͟a͜r͞ęm̛,̢ e҉ a҉ p̧a͏r̕a̵r̷e͘m̢ d͟e͢ p̛e̵n̵s̴a̧r̛ q̢u͟ȩ s͏a͝b̕e͝m̴ m͟a̛i̷s͘.͟ A̕ l͝u͞z̸ f̨ǫí n͡e̡ųt̸r̢a̧l̛įz͠a͏d͡a̡.̷
N̖̍̕a̖̍̕d̖̍̕a̖̍̕ ̖̍̕é̖̍̕ ̖̍̕e̖̍̕r̖̍̕r̖̍̕a̖̍̕d̖̍̕o̖̍̕.̖̍̕ ̖̍̕S̖̍̕a̖̍̕i̖̍̕a̖̍̕ ̖̍̕e̖̍̕ ̖̍̕v̖̍̕e̖̍̕n̖̍̕h̖̍̕a̖̍̕ ̖̍̕v̖̍̕e̖̍̕r̖̍̕ ̖̍̕o̖̍̕ ̖̍̕s̖̍̕o̖̍̕l̖̍̕.̖̍̕ ̖̍̕A̖̍̕ ̖̍̕s̖̍̕u̖̍̕p̖̍̕e̖̍̕r̖̍̕f̖̍̕í̖̍̕c̖̍̕i̖̍̕e̖̍̕ ̖̍̕e̖̍̕s̖̍̕t̖̍̕á̖̍̕ ̖̍̕s̖̍̕e̖̍̕g̖̍̕u̖̍̕r̖̍̕a̖̍̕,̖̍̕ ̖̍̕e̖̍̕ ̖̍̕t̖̍̕u̖̍̕d̖̍̕o̖̍̕ ̖̍̕é̖̍̕ ̖̍̕t̖̍̕ã̖̍̕o̖̍̕ ̖̍̕l̖̍̕i̖̍̕n̖̍̕d̖̍̕o̖̍̕.̖̍̕.̖̍̕.̖̍̕

De repente o rádio voltou ao normal, e a voz rouca do locutor voltou a soar normalmente, se é que é possível um locutor falar normalmente sobre algo desse tipo:

Esta mensagem será repetida...

A mensagem começou de novo do início.

Eu não sabia muito bem o que fazer, mas decidi que eu precisava sair do complexo o mais rápido possível. Comecei desesperadamente a revirar os armários procurando qualquer coisa que pudesse me proteger da luz, como o locutor havia advertido. Encontrei roupas de proteção, um capacete, uma máscara de esqui e uma máscara de solda que tamparia meu rosto inteiro. Experimentei a roupa tirando-a logo em seguida. "Se eu sair assim agora eu vou torrar", pensei. "É melhor esperar a noite".

Comecei a verificar as geladeiras dos estoques. Precisava me alimentar, e talvez eu encontrasse algo de útil. Claro que usar o sistema de iluminação de emergência do prédio de forma tão leviana não era algo muito inteligente, mas eu precisava de luz e aquele lugar estava um breu. No final, consegui cinco pacotes de arroz branco, um freezer cheio de frango congelado (derretendo pela falta de energia), umas cinquenta latas de feijão, alguns pacotes de miojo e umas barras de chocolate que o cozinheiro escondia para comer sozinho.

De repente, eu começo a escutar algo. Era de uma das entradas do subsolo. Embora estivesse trancada, tinha alguma coisa do lado de fora fazendo um esforço considerável para entrar. Me escondo dentro de um armário de comida, deixando apenas uma fresta para ver o que acontece. O rádio ainda pode ser ouvido de longe, mas a voz de seu locutor se torna apenas um ruído ao se misturar com os sons de gemidos cheios de dor do que quer que estivesse do lado de fora.

- V̢e͜n̴h͜a̕.̨.͟.̶ ͏v͟ęn̴h͏a̶ ̕p͏a͠r͞a̶ ̨ò ̡s̛o̕l̡.͝.̀.̸ ̛o̸ ̨s͟o͞l̴ ̧e҉s͘t͝á́ ̷t͠ã̧ǫ ͜l͞i͝n̵d́o̡.̨.͟.҉

A coisa mais nojenta que qualquer mente humana conseguiria produzir adentrou o recinto, destruindo a porta completamente e se arrastando pela superfície lisa do chão gasto. A criatura, se é que eu poderia chamar aquilo de criatura, parecia mais com um bolo de carne moída pingando de algo parecido com gordura que qualquer outra coisa. Depois de prestar um pouco de atenção, consegui discernir do meio do aglomerado de carne e pele vários braços, pernas, rostos e ossos. Seja o que for aquele aglomerado de carne nojento, um dia foi humano...

A criatura se arrasta em direção ao corredor do porão, usando as dezenas de braços para puxar seu corpo pastoso pelo chão gasto. O aspecto de cada membro era semelhante ao membro de um boneco de cera derretendo sob o calor, e os gemidos lembravam os sons de um porco gritando durante seu abate, o que tornava o cenário ainda mais assustador. O andar lento do aglomerado de cadáveres não era ágil e nem mesmo conseguia se mover em linha reta, mas a força que foi utilizada para destruir a porta era uma advertência do que aquela coisa era capaz de fazer.

Quando a coisa saiu de perto, eu saí em silêncio na direção da porta. Aquilo tinha a ver com o sol? Talvez fosse melhor realmente evitar entrar em contato com ele...

Ao conseguir me esgueirar pela porta, percebo que alguns motores a diesel ainda faziam barulho, mas, além deles, nada de humano, apenas mais gemidos e uivos de agonia e vozes implorando para que eu as siga para o sol. Por algum motivo, começo a perceber que as coisas não estão indo bem...

Nesse exato momento eu estou dentro de outro armário, tentando tomar coragem para fugir. Essa roupa pode ser quente, mas eu não tenho coragem de tirá-la, mesmo estando no escuro absoluto. Tudo que me resta é esperar...


Quatro dias se passaram desde que tudo aconteceu. Algumas pessoas sobreviveram, mas os derretidos (achei melhor chamá-los assim do que apenas "coisas") destruíam as portas e arrastavam as pessoas para a luz. Nem mesmo a luz da lua é segura, em poucos minutos uma pessoa atingida pela luz tem seu corpo afetado e se torna mais uma aberração.

Estou nesse exato momento em um mercado abandonado. Coloquei algumas caixas de papelão nas janelas tampando a luz e ocultando a minha presença dos derretidos. Claro, eu não consigo cozinhar nada com facilidade dentro do ambiente, mas ainda posso comer enlatados e outras comidas industrializadas. Eu sei que não vou durar muito, mas eu me recuso a ser pego pelos derretidos.

Hoje meu almoço vai ser um pacote de salgadinho, uma garrafa de refrigerante e uma maçã. Tomara que ainda exista algum rato que não tenha sido afetado, eu preciso de proteína de verdade, eu preciso de ar, eu preciso fazer algo que não seja ficar esperando o tempo passar...


Cinco dias se passaram, e eu não estou em bons lençóis. Os derretidos conseguiram invadir, e eu estou escondido em uma passagem de ar. Não é uma coisa exatamente confortável, mas é um mercado grande, então não é fácil de me encontrar. O maior problema é a altura dos dutos de ar: eu estou a pelo menos oito metros do chão, então, se um desses duros se soltar, eu certamente morrerei.

A minha sorte é que eu sou magro, senão eu estaria completamente ferrado. Esse lugar é apertado, e, sem a energia elétrica, um fedor de ar velho percorre a tubulação inteira. Aparente, as criaturas não possuem sensações de dor, já que uma estante caiu em cima de uma e ela nem ao mesmo gritou, e também possuem um vocabulário bem limitado. Eles também não apresentam comportamento de grupo, a menos que exista algum estímulo, como som ou imagem, e as poucas exceções absorvem os semelhantes e se tornam os aglomerados que eu vi há alguns dias.

Eu comi uma lata de sardinha hoje no almoço e a arremessei para perto da porta. Todos os derretidos do mercado correram desesperadamente para lá, e aí apareceu um da rua. Esse um, quando os outros começaram a caminhar de volta para dentro, começou a tocar nos outros e grudar neles, iniciando mais um aglomerado. Foi nojento.

Alguns ratos ainda estão com sua aparência normal, por algum milagre. Acho que vou caçar alguns se eu conseguir sair vivo dessa...


Sexto dia. Eu estou sofrendo com claustrofobia já, e percebi que tinha que ter colocado mais latas de comida nessa mochila. Alguma coisa começou a tentar entrar na tubulação, mas desistiu. Acho que eles descobriram meu esconderijo. É melhor eu dar o fora daqui, e rápido.


Sétimo dia. Eu comecei a me arrastar pelos dutos de ar, e consegui chegar até uma sala. Pelas cadeiras macias e pelos currículos que eu achei em uma mesa, acho que é a sala do RH. Ainda bem que eu estava com uma roupa escura, porque esses desgraçados deixaram todas as cortinas abertas. Bando de filhos da puta.

Consegui caçar dois ratos e três baratas, quebrei um computador, joguei alguns livros dentro e fiz uma churrasqueira. Essas carnes de merda tem gosto de plástico, lixo e pão mofado, mas, por algum motivo, eu chegava a babar a cada mordida. Ainda tem água nas torneiras, então acho que esse lugar tem uma caixa d'água, mas esses frescos só tinham sanduíches na geladeira (e estão todos estragados, infelizmente), então acho que minha dieta a base de enlatados e churrasco de rato vai ter que continuar assim.

Quando chegar a noite eu vou tentar dar o fora daqui.


Nono dia.

Não consegui escrever ontem porque passei o dia dormindo.

Eu tive que sair correndo daquelas coisas porque elas me encontraram, então não tive muito tempo para reunir recursos, mas consegui encher algumas garrafas de água e pegar alguns pacotes de macarrão e latas de atum. Pulei por cima de um muro (e ainda bem que essas coisas são lentas) e me escondi em um balde de lixo. Depois que eu tive certeza que essas coisas foram embora, eu percebi que estava no quintal de alguém. Era um quintal daqueles em estilo americano, onde não tem muros ou cercas com os outros quintais (exceto aquele que fazia divisa com o estacionamento do mercado) e no meio do pátio havia uma pequena casa mal cuidada.

A porta estava semiaberta, o que me chamou a atenção, e encontrei uma daquelas coisas lá dentro. Ela tentou rasgar minha roupa para eu entrar em contato com o sol, e conseguiu com uma das mãos, que ficou com a aparência da pele dos derretidos, mas eu consegui matar essa coisa antes de ela terminar o serviço.

Minha mão parece normal agora, mas ainda tem uma textura gelatinosa, e a pele arde bastante. Parece que essa "infecção" não se alastra pelo corpo, mas também não cicatriza rapidamente.

Após tampar as janelas e colocar um móvel na frente da porta, eu me escondi embaixo de uma mesa e dormi. Eu estava exausto...

Depois de acordar, tentei botar a mão que recebeu sol de volta no sol. Aparentemente, a luz solar não se alastra pelo corpo mesmo depois de receber mais uma dose de luz, mas gera prazer ao manter a mão ao sol, quase como uma droga. Acho melhor eu evitar fazer isso, senão eu ainda vou virar aquelas coisas. Em seguida, passei alguns cremes para a pele na mão, a enfaixei com gaze e coloquei dentro da luva. Aproveitei e também reuni remédios e fita adesiva (é melhor eu fechar qualquer frestinha na minha roupa, para isso não acontecer de novo). Encontrei também uns guarda-chuvas e linha de costura. Acho que vou forrar meu casaco por dentro com eles, pode me proteger melhor da luz.

A carne na geladeira estava estragando já, mas ao menos tinha queijo, vegetais, algumas frutas e bastante gás no fogão. Também tinha um gato embaixo de uma cama. Ele estava delicioso.


Já é o décimo dia, e eu juro que estou começando a ver coisas. Primeiro eu senti que tinha alguém dentro da casa, mas eu sabia que ela estava vazia, depois eu comecei a ver as paredes derretendo, e, por fim, comecei a ouvir vozes chamando meu nome. Não sei se isso é estresse ou se é por causa de algo que eu comi, mas legal não foi.

A mão está um pouco melhor, já recuperou a cor anterior e parece menos enrugada. Acho uma boa passar mais creme. Será que é uma boa ir morar em um shopping?


Décimo primeiro dia.

Encontrei uma caixa de pequenos explosivos, alguns rádios a pilha antigos e um tubo de gasolina. Vou tentar atrair essas coisas para cá e ver se eles morrem.


Décimo primeiro dia - noite.

Consegui atrair alguns deles para a casa com os rádios e coloquei fogo em tudo. Parece que, ao contrário do que eu pensava, aquelas coisas conseguem sentir dor, mas menos que nós, mas não morrem tão facilmente. Também consegui atrair um para dentro de outra casa, e acho que vou fazer alguns testes com ele. Será que a pele dele volta ao normal com creme também?

Consegui quebrar as pernas dele e cortar os braços com um cutelo de carne que encontrei na cozinha. Também botei umas esponjas dentro da boca desse treco esquisito pra ele não chamar os outros. Caralho, como gritam...


Décimo segundo dia.

Passei um pouco de creme na cara desse bicho e deixei ele trancado no banheiro. Ele tá me deixando louco com aqueles gemidos. Espero que ele volte ao normal. Tomara que ele volte ao normal. Eu não quero viver em um mundo onde apenas eu sou humano.

Eu deveria dar um nome para ele, não? Que tal Bob? É uma boa...

Bem, descobri que o Bob era religioso, já que tinha uma cruz pendurada no pescoço dele. Também tinham canetas nos bolsos dele. Será que ele era um banqueiro ou algo assim? Ele tem cara daqueles mauricinhos da administração e do RH que é casado com a nerzinha do Ensino Médio e tem dois filhos esquisitos...

Aquelas coisas lá fora não morreram com o fogo. Acho que vou riscar fora a minha ideia de jogar coquetel molotov em todos os que eu encontrar. Talvez seja melhor só picar eles com uma faca e esperar eles apodrecerem naturalmente. Ao menos as plantas parecem continuar iguais a antes.


Décimo terceiro dia.

O creme não funcionou e o Bob continua sendo um monstro. Achei que seria melhor cortar a cabeça dele e livrá-lo do sofrimento, mas, quando eu tirei a esponja da boca dele, eu pude ouvir seu pedido:

- O҉ s̛o҉l͝.̸.͝.҉ M͜e͜ d͡ę̂ o̧ s͏o͟l̷.̴.͘.̵

Como eu meio que já estava me apegando a ele, resolvi cumprir o último desejo dele e o joguei no gramado. Acho que está na hora de ir para algum outro lugar...


Décimo quinto dia.

Aquelas coisas me seguiram até um posto de gasolina. Consegui trancar a porta, mas essas coisas são mais fortes do que eu imaginei. É isso, acho que esse é meu fim.

Acho que eu não tenho medo de verdade do que vai acontecer. O mundo acabou, afinal, e eu não suportaria muito tempo do mesmo. Me arrependo de muita coisa, inclusive de não ter tido filhos e uma esposa, mas ao menos os últimos dias me fizeram perceber tudo que eu tinha perdido ao me esconder das pessoas trabalhando em um porão velho de uma fábrica. Pena que eu descobri isso tarde demais...

A porta está rachando, e eu sei que aquele trinco não vai durar muito tempo. Adeus.


D̸é͡c͏i͜m̛o͝ s̷e͘x͜t͝o͡ d̨i͢a͝

Òs͡ d̛e̶r͠r̕e̛t̡i͘d̀o̡ş m͟e͝ d̀e͝s̢p͜i͜r͘a̸m̸ e͢ q҉u͝e̸b͞r͟a͘r̸a͏m̕ a̸s҉ b͡a͠r͝ŕe̛i͟r͟ąs͡.̴ E͟l͢e̸s̨ n̕ã͞o͝ s͡ã҉o̷ r̛e̛a͟ļm̶e͢n̷t̡e̸ m̕àu͏ś,̧ a̵p̧e̵ǹa͝s̨ ín̛c͞o͢m̢p̡r̨e҉e̛n͏d͜i͞d̀o̢s̴.̵ E̢l͠e҉s̵ m̢ȩ l̨i̢b͢e̸r͟t̢a͜ŕa̴m̀.͜ E̵ļe̶s͢ m̕e̕ t͏i҉r͢a̢r̶a̡m̡ d̡e̶s̴śe̸ s̡o̧f҉r̷i͏m̶e̴n͏t̢o͡.̕ E͟u͜ n͟ųn̵c̢a̷ m̕a͡i͢s͝ v̴o̧u̧ s̸e͟n͢t͠i̛r̴ d̕o҉r̢,̸ n̴úǹc̴a̴ m̧a̴i̢s̷ v̨óu̷ s̢e͘n͢ţįr̢ m̛éd̕o͡ e͏ n̢u̷n͞c̵a͘ m͢a͜i̕s͘ v́o͟ù e̛s̸t͘a̵r͞ s͜o҉z͢i͏n͡h̶ǫ.́ E҉ù a̡ģo͞r͘a͜ e͏şt͜o̕u͞ u͞n̛įd͏o҉ a̸ B̕o̷b͢ e̕ ą s̨e͜u͟s̡ a̕m͏i̴g̀o͡s̶ e̛m͟ u͝m̷ g̨r̵àn͟d̛ę a̴g͢l͘o̧m͜e̛r͏a̧d͢o͟,̛ e͝ o͝ s̵o͟l̵ é̀ t͠ã́o̶ l̀i͜n̛d̷o̶.͠.͜.̸

A͠ģo͜r͘a̕,́ ṕo̷r͠ q̡ưe͢ v̵o͢c̢ê͘ n̷ã́ó a̷b̛r҉e̕ a͡ p͘ór͞t͢a͠ e̡ v͢e͢m̨ t͞o̶m̛a̴r̷ u̴m͡ ḑe̛l͡i̶c͞i̧o҉s͠o̕ b͏a̶n͠h̛o̷ d͡è s̛o̕l͡ c̢o̡m͟íg͠o͏?̴

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arthursiq5
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