[ EN | PT ] The Civilian - O Civil

By lingy | arthursiq5 | 20 Mar 2022


Waking up in a hospital room again, my lung feels sore from the shrapnel. The only thing that reminds me that I'm still alive. The explosions in the rain frighten the nurses, but I'm used to it. It's no use looking out the window if all you can see is destruction and chaos.

A doctor sitting on the sofa with a bottle of kitchen alcohol weeps softly as he looks at a moldy photograph. A woman rests in a wheelchair while the nurse calmly changes the dressing on her amputated leg. Only the smoke from the bombs and the smell of gunpowder are equal in intensity to the suffering of these people. Mutilated and traumatized, patients help each other as they try to ease their pain.

War is the people's martyrdom, the deepest pain, and those who really suffer are the civilians, the people, those who want nothing to do with it. In war, you die like a dog. That's what they didn't tell me before the first bomb dropped, before the first bullet was fired. Before all this pain...

A man enters screaming in despair with a crying child in his arms. I'm not sure what he's saying to the nurse, but I can see the desperation in his eyes. The child must be sick. Medicines are expensive, doctors are scarce, and even food is rare in the midst of confrontation. The child is unlikely to survive, and from the tears in his eyes, and the nurse's bleak expression, I think he already knows that. As they try to calm the poor guy down, a group of men in uniform come towards me with a companion collapsed with grief. There are no good or bad people in a hospital, only victims. The bed beside me serves as a resting place for the camouflaged man they carry. I can see the soldiers injecting morphine into his veins as they tighten the makeshift tourniquet. I turn away as I smell the flesh being hastily seared with a makeshift torch.

Will this all ever end?


Acordando em um quarto de hospital novamente, sinto meu pulmão dolorido por causa do estilhaço. A única coisa que me lembra que ainda estou vivo. As explosões em meio à chuva amedrontam as enfermeiras, mas eu já me acostumei. Não adianta de nada olhar pela janela, se tudo que é possível ver é destruição e caos.

Um médico sentado no sofá com uma garrafa de álcool de cozinha chora baixinho enquanto olha para uma fotografia mofada. Uma mulher repousa em uma cadeira de rodas enquanto a enfermeira troca calmamente o curativo da perna amputada. Apenas a fumaça das bombas e o cheiro de pólvora se igualam em intensidade ao sofrimento dessas pessoas. Mutilados e traumatizados, os pacientes se ajudam mutuamente enquanto tentam atenuar a própria dor.

A guerra é o martírio do povo, a dor mais profunda, e quem realmente sofre são os civis, o povo, aqueles que não querem ter nada a ver com isso. Na guerra, você morre como um cão. Isso é o que não me contaram antes da primeira bomba cair, antes da primeira bala ser disparada. Antes de toda essa dor...

Um homem entra gritando desesperado com uma criança chorando em seus braços. Não sei bem o que ele diz à enfermeira, mas percebo o desespero em seus olhos. A criança deve estar doente. Remédios são caros, os médicos escassos, e mesmo o alimento é raro em meio ao confronto. Dificilmente a criança sobreviverá, e, pelas lágrimas nos olhos dele, e a expressão desolada da enfermeira, creio que ele já sabe disso. Enquanto tentam acalmar o pobre sujeito, um grupo de homens de farda vem em minha direção com um companheiro desfalecido pela dor. Não existem bons ou maus em um hospital, apenas vítimas. A cama ao meu lado serve de repouso ao homem de vestes camufladas que eles carregam. Consigo ver os soldados injetando morfina nas veias dele enquanto apertam o torniquete improvisado. Viro-me para o lado oposto enquanto sinto o cheiro da carne sendo cauterizada às pressas com uma tocha improvisada.

Será que algum dia isso tudo vai acabar?


Publicado no Ebook "Linguagens: múltiplos olhares, múltiplos sentidos: volume 5", da Univates.

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arthursiq5
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